Instalação e manutenção

Instalar o Ubuntu Server passo a passo

Instalar um sistema de servidor é menos assustador do que parece: são umas vinte telas, e só duas delas exigem atenção de verdade. Este guia percorre o caminho inteiro com o Ubuntu Server 24.04 LTS, do download da imagem até o momento em que você desliga o monitor e passa a controlar a máquina pela rede.

Intermediário 15 min de leitura Atualizado em 20 de outubro de 2026
Para quem é
Quem já decidiu usar Linux no servidor e tem um computador separado para isso, com o disco pronto para ser apagado.
Pré-requisitos
Qual sistema operacional usar no servidor doméstico e Como avaliar se o hardware do seu PC serve.
Você vai sair sabendo
Baixar e conferir a imagem, criar o pendrive de instalação, ajustar a BIOS, responder cada tela do instalador com segurança e deixar o servidor atualizado, com nome e endereço estáveis.

Antes de começar: o que separar

O Ubuntu Server é uma versão do Ubuntu sem interface gráfica, pensada para máquinas que ficam ligadas e são administradas pela rede. A sigla LTS (suporte de longo prazo) significa que a versão 24.04 recebe correções de segurança por anos, sem obrigar você a reinstalar nada. É a escolha mais comum para um primeiro servidor doméstico, e o motivo dessa escolha está no guia Qual sistema operacional usar no servidor doméstico.

Separe, antes de ligar qualquer coisa:

  • O computador que será o servidor, com monitor, teclado e cabo de rede conectados. Monitor e teclado são necessários só durante a instalação.
  • Um pendrive de 4 GB ou mais, que será apagado por completo no processo.
  • Outro computador (Windows, macOS ou Linux) para baixar a imagem e gravar o pendrive.
  • Uma decisão tomada sobre o disco: a instalação apaga o disco escolhido. Se há qualquer arquivo nele, copie para fora antes.
A instalação apaga o disco inteiro

Na etapa de armazenamento, o instalador vai formatar o disco que você escolher, incluindo tudo o que estiver nele: Windows, fotos, documentos. Não existe "desfazer". Se o computador tinha arquivos importantes, copie-os para outro lugar e confira a cópia antes de prosseguir. Se há mais de um disco na máquina, anote o tamanho e o modelo de cada um para reconhecê-los na hora certa; mostramos como fazer isso na seção do instalador.

Baixar a imagem e conferir a integridade

A imagem de instalação é um arquivo .iso, uma cópia exata de um disco de instalação. Baixe-a apenas do site oficial, em ubuntu.com/download/server, escolhendo a versão 24.04 LTS. O arquivo tem por volta de 2 a 3 GB e o nome segue o padrão ubuntu-24.04.x-live-server-amd64.iso, em que o "x" muda conforme a atualização pontual da versão.

Depois do download, vale conferir se o arquivo chegou íntegro. A forma padrão é comparar a soma SHA256, uma espécie de impressão digital do arquivo. O site do Ubuntu publica a soma correta ao lado do link de download (em um arquivo chamado SHA256SUMS). Se a soma que você calcular for idêntica à publicada, o arquivo está perfeito; se diferir em um único caractere, baixe de novo.

PowerShell
Get-FileHash .\ubuntu-24.04.3-live-server-amd64.iso -Algorithm SHA256

No Windows, o comando acima (dentro da pasta onde está o arquivo) mostra a soma calculada. No macOS e no Linux, o equivalente é:

Terminal
sha256sum ubuntu-24.04.3-live-server-amd64.iso      # Linux
shasum -a 256 ubuntu-24.04.3-live-server-amd64.iso  # macOS

Ajuste o nome do arquivo ao que você baixou. Compare os primeiros e os últimos caracteres com o valor publicado; não é preciso ler os 64 inteiros.

Criar o pendrive de instalação

Um arquivo .iso copiado para o pendrive como se fosse um documento qualquer não funciona. Ele precisa ser gravado de forma que o pendrive se comporte como o disco de instalação original. Para isso existem programas específicos, e a escolha depende do sistema do computador que você usa para preparar o pendrive.

  • Windows: o Rufus é a opção mais usada. Selecione o pendrive, escolha a imagem, mantenha as opções padrão (esquema de partição GPT e sistema de destino UEFI são adequados para computadores dos últimos dez anos) e clique em Iniciar. Se ele perguntar entre modo "imagem ISO" e modo "DD", a opção de imagem ISO funciona bem para o Ubuntu.
  • Windows, macOS ou Linux: o balenaEtcher tem três botões e não permite escolher opções erradas. É a escolha mais tranquila para quem está começando.
  • Linux, pelo terminal: o comando dd grava a imagem diretamente. É rápido e vem instalado em qualquer distribuição, mas exige atenção redobrada ao destino.
Terminal
lsblk                       # descubra qual dispositivo é o pendrive (pelo tamanho)
sudo dd if=ubuntu-24.04.3-live-server-amd64.iso of=/dev/sdX bs=4M status=progress conv=fsync

Substitua /dev/sdX pelo dispositivo do pendrive, sem número no final (por exemplo, /dev/sdb, e nunca /dev/sdb1). O lsblk lista todos os discos com o tamanho; o pendrive é o que tem o tamanho do seu pendrive e aparece só depois de conectá-lo.

O comando dd não pergunta nada

Se você indicar o disco errado em of=, o dd sobrescreve esse disco imediatamente, sem confirmação, e os dados não voltam. Antes de apertar Enter, rode lsblk de novo e confirme que o dispositivo escolhido tem exatamente o tamanho do pendrive. Em dúvida, use o balenaEtcher, que mostra o nome do dispositivo e pede confirmação.

BIOS e UEFI: fazer o computador iniciar pelo pendrive

Ao ligar, o computador procura um sistema para iniciar seguindo uma ordem de boot definida no firmware, aquele programa básico gravado na placa-mãe que se chama BIOS nos computadores antigos e UEFI nos mais recentes. Em geral o disco interno vem primeiro, então o pendrive é ignorado. Há duas formas de contornar:

  1. Menu de boot temporário: ligue a máquina e, nos primeiros segundos, pressione a tecla que abre o menu de inicialização. Varia por fabricante: costuma ser F12, F11, F8, Esc ou F9. A tela inicial geralmente mostra qual é. Escolha o pendrive na lista; se ele aparecer duas vezes, prefira a entrada com "UEFI" no nome.
  2. Mudar a ordem de boot: entre na configuração do firmware (Del, F2 ou F10 são as teclas mais comuns), procure a seção Boot e coloque o pendrive (ou "USB" ou "Removable devices") antes do disco interno. Salve e saia.

Dois pontos sobre as opções do firmware que costumam gerar dúvida:

  • Secure Boot pode ficar ligado. O Ubuntu é assinado e inicia normalmente com ele ativo. Só desligue se o pendrive não aparecer de jeito nenhum, e lembre-se de que ele existe caso algum driver adicional falhe mais tarde.
  • Modo SATA: se existir uma opção entre "AHCI" e "RAID" ou "IDE", deixe em AHCI. É o modo que o Linux espera encontrar.

Se o computador começou a mostrar o menu do Ubuntu com a opção "Try or Install Ubuntu Server", o pendrive funcionou. Caso ele volte direto ao sistema antigo ou mostre uma tela preta, veja a seção de erros comuns.

Fluxo de instalação do Ubuntu Server Sequência em seis etapas: baixar e conferir a imagem, gravar o pendrive, ajustar o firmware, responder ao instalador, primeiro login e ajustes, e administração pela rede. O instalador é a etapa destacada por ser a única que apaga o disco. 1. Baixar a imagem conferir SHA256 2. Gravar o pendrive Rufus, Etcher ou dd 3. Firmware boot pelo pendrive 4. Instalador rede · disco (apaga!) · usuário marcar OpenSSH 5. Primeiro login atualizar · hostname · IP 6. Pela rede monitor desligado, SSH só a etapa 4 altera o disco do servidor; as três primeiras acontecem em outro computador
As três primeiras etapas acontecem em outro computador. Só o instalador mexe no disco do servidor, e é a etapa em que vale ir devagar.

O instalador, tela por tela

O instalador do Ubuntu Server é em modo texto: você navega com as setas e Tab, marca opções com Espaço e confirma com Enter. Não há mouse, mas todas as telas têm uma opção "Done" ou "Continue" no fim. A ordem abaixo corresponde à versão 24.04; nomes podem variar levemente entre atualizações pontuais.

  1. Idioma e tecladoO instalador em si funciona melhor em inglês (as traduções são parciais), e a escolha afeta apenas as mensagens. Em teclado, escolha "Portuguese (Brazil)" e, se o seu teclado tem a tecla "Ç", a variante ABNT2. Teste digitando acentos no campo de identificação que aparece.
  2. Tipo de instalaçãoMantenha "Ubuntu Server". A opção "minimized" remove ferramentas úteis para quem está aprendendo e só compensa em casos específicos.
  3. RedeCom o cabo conectado, a interface de rede aparece com um endereço obtido automaticamente do roteador, algo como 192.168.0.25/24. Anote esse endereço: é por ele que você vai se conectar depois. Não precisa configurar nada aqui; o endereço fixo é tratado mais tarde, no roteador.
  4. Proxy e espelhoDeixe o proxy em branco. O instalador testa o espelho de pacotes padrão; se a internet estiver funcionando, basta continuar.
  5. ArmazenamentoÉ a tela decisiva. Escolha "Use an entire disk" e, se houver mais de um disco, selecione o que será o disco do sistema, conferindo nome e tamanho. Mantenha a opção de LVM marcada (ela facilita redimensionar partições depois). Na tela seguinte, um resumo mostra as partições que serão criadas; só ao confirmar "Continue" na janela de aviso em vermelho o disco é realmente apagado.
  6. PerfilSeu nome, o nome do servidor (o hostname, algo curto e sem espaços como servidor ou nas-casa), o nome de usuário e a senha. Esse usuário terá poder de administrador via sudo. Escolha uma senha forte: ela protege o acesso ao servidor inteiro.
  7. Ubuntu ProPule. É um serviço de suporte estendido que não faz falta em casa.
  8. SSHMarque "Install OpenSSH server". É isso que permite administrar a máquina pela rede a partir de agora. Se você já tem chaves no GitHub ou no Launchpad, o instalador oferece importá-las; pode deixar em branco e fazer isso com calma depois, seguindo o guia SSH básico.
  9. Pacotes em destaque (snaps)Não marque nada. Instalar serviços pela lista do instalador deixa o sistema com componentes que você ainda não entende; é melhor adicioná-los um a um depois.
  10. Instalação e reinícioA cópia dos arquivos e a atualização inicial levam alguns minutos. Quando aparecer "Reboot Now", confirme, e ao ser solicitado, remova o pendrive e pressione Enter. Se a máquina voltar a iniciar pelo pendrive, é porque ele ainda está conectado ou porque a ordem de boot ficou alterada; corrija no firmware.
Decisões do instalador: o que escolher e por quê
TelaEscolha recomendadaPor quê
IdiomaEnglishMensagens completas e iguais às da documentação e dos fóruns
TecladoPortuguese (Brazil), variante do seu tecladoEvita trocar cedilha e acentos ao digitar senhas
TipoUbuntu Server (não minimized)Mantém ferramentas de diagnóstico que você vai usar
RedeAutomático (DHCP), anotar o IPO endereço fixo é feito por reserva no roteador, depois
ArmazenamentoUse an entire disk, com LVM, no disco de sistemaEsquema simples; discos de dados são tratados depois, separadamente
PerfilHostname curto, usuário com senha forteÉ a conta de administração; o hostname aparece na rede
SSHInstall OpenSSH server marcadoSem ele você fica preso ao monitor e teclado
SnapsNenhumInstale serviços conscientemente depois, com Docker ou apt
Disco de sistema e disco de dados

Se o servidor vai guardar arquivos, o ideal é ter um disco (ou SSD) pequeno só para o sistema e outro disco para os dados. Na instalação, escolha apenas o disco de sistema. Os discos de dados são formatados e montados depois, e a escolha do sistema de arquivos está em Sistemas de arquivos: NTFS, ext4, exFAT, Btrfs e ZFS. Se o computador tem um disco só, tudo fica nele; funciona, mas um dia você vai querer separar.

Primeiro login e ajustes finais

Depois do reinício, aparece uma tela preta com o nome do servidor e o pedido de login:. Digite o usuário e a senha definidos (a senha não aparece enquanto você digita, nem com asteriscos; é normal). Você está dentro de um terminal Linux. Os primeiros comandos a rodar são os de atualização, porque a imagem baixada já tem semanas ou meses e, nesse intervalo, saíram correções de segurança.

Terminal
sudo apt update
sudo apt upgrade -y

O sudo executa o comando com poder de administrador e pede a sua senha. apt update baixa a lista de pacotes disponíveis; apt upgrade instala as versões novas. O -y responde "sim" à pergunta de confirmação. Na primeira vez pode demorar alguns minutos. Se ao final aparecer uma mensagem dizendo que o sistema precisa reiniciar, faça isso com sudo reboot.

Em seguida, confirme o endereço IP e o nome da máquina:

Terminal
ip -brief address        # mostra as interfaces e os endereços
hostnamectl              # mostra o nome do servidor e a versão do sistema

Se quiser mudar o nome escolhido na instalação, use sudo hostnamectl set-hostname novo-nome. O nome importa mais do que parece: é ele que o roteador exibe na lista de dispositivos e que você pode usar para acessar o servidor sem decorar números, assunto do guia DNS local e nomes de dispositivos.

O último ajuste não é feito no servidor, e sim no roteador: reservar o endereço IP para que ele não mude a cada reinício. Sem isso, um dia o servidor acorda com outro número e todos os atalhos, mapeamentos e backups param de encontrá-lo. O procedimento, que varia por roteador, está em IP fixo, DHCP e reserva de endereço para o servidor. Enquanto o monitor ainda está conectado, é um bom momento para fazê-lo, já que você pode confirmar o endereço MAC da placa com ip link.

Teste o acesso pela rede antes de desligar o monitor

De outro computador da mesma rede, abra um terminal (no Windows, o PowerShell) e digite ssh [email protected], trocando pelo usuário e pelo endereço do seu servidor. Se aparecer o pedido de senha e você conseguir entrar, pode desligar o monitor e guardar o teclado: daqui em diante tudo acontece pela rede. O passo a passo completo, incluindo chaves em vez de senha, está em SSH básico: acessar o servidor pela linha de comando.

E a suspensão automática?

O Ubuntu Server não suspende nem hiberna sozinho, ao contrário das versões de desktop. Se você instalou em um notebook, a tampa fechada pode suspender a máquina; o ajuste está no guia Notebook velho como servidor.

Erros comuns na instalação

O pendrive não aparece no menu de boot

As causas mais frequentes, nesta ordem: a gravação falhou (regrave com outro programa ou outro pendrive), a porta USB é 3.0 e o firmware antigo não a reconhece no boot (tente uma porta USB 2.0, em geral preta), ou o firmware está em modo "Legacy" apenas e o pendrive foi gravado só para UEFI. No Rufus, a opção "BIOS ou UEFI" para sistema de destino cobre os dois casos.

Escolhi o disco errado na tela de armazenamento

Enquanto você não confirmou o aviso final em vermelho, nada foi gravado: volte com "Back" e refaça. Se já confirmou, os dados daquele disco foram sobrescritos. Interromper no meio não ajuda. É por isso que insistimos em anotar o tamanho e o modelo de cada disco antes de começar, e em fazer a cópia de segurança antes.

Depois da instalação, o espaço em disco parece menor do que o disco

Com LVM, o instalador pode deixar parte do espaço reservado dentro do grupo de volumes em vez de entregá-lo todo à partição principal. Confira com df -h / e sudo vgs. Se houver espaço livre no grupo, os comandos sudo lvextend -l +100%FREE /dev/ubuntu-vg/ubuntu-lv seguido de sudo resize2fs /dev/ubuntu-vg/ubuntu-lv ampliam a partição sem reinstalar (os nomes ubuntu-vg e ubuntu-lv são os padrões; confirme-os na saída de sudo lvs).

A senha não funciona no primeiro login

Quase sempre é o layout de teclado: se você escolheu o layout errado, caracteres como "@", "?" e a cedilha saem trocados. Tente digitar a senha num campo visível (no prompt de login, no lugar do usuário) para ver o que de fato sai. Se o problema persistir, reinstalar é mais rápido do que recuperar a senha no primeiro dia.

Esqueci de marcar o OpenSSH

Não é preciso reinstalar. Com monitor e teclado conectados, rode sudo apt install openssh-server. O serviço inicia sozinho e o acesso pela rede passa a funcionar.

O servidor "sumiu" da rede depois de um tempo

Se ele continua ligado, o mais provável é que o roteador tenha entregado outro endereço IP. Verifique no roteador qual é o endereço atual e faça a reserva descrita em IP fixo, DHCP e reserva de endereço. Outras causas estão no guia Solução de problemas comuns.

Glossário deste guia

ISO
Arquivo que contém a imagem completa de um disco de instalação. Precisa ser gravado em um pendrive com programa apropriado, não copiado.
SHA256
Algoritmo que gera uma "impressão digital" de um arquivo. Se a impressão calculada é igual à publicada, o arquivo está íntegro.
UEFI / BIOS
O firmware da placa-mãe, que inicia o computador e decide de onde carregar o sistema. BIOS é o nome antigo; UEFI é o padrão atual.
Secure Boot
Recurso do UEFI que só permite iniciar sistemas assinados digitalmente. O Ubuntu é assinado e funciona com ele ligado.
LVM
Camada que organiza o espaço dos discos em volumes lógicos, permitindo redimensionar partições sem reinstalar.
Hostname
O nome do computador na rede. Aparece no prompt do terminal e na lista de dispositivos do roteador.
sudo
Comando que executa outro comando com poderes de administrador, pedindo a senha do seu usuário.

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Próximos passos

Com o sistema instalado e acessível pela rede, o servidor está pronto para receber os primeiros serviços. Leia nesta ordem:

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Fontes e leituras complementares

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